#Resenha O Meninos dos Fantoches de Varsóvia

 Oi amigos, hoje tem uma resenha um tanto longa para vocês, mas acreditem, eu tentei diminuir o quanto pude, mas não fui feliz, pois do contrário não passaria o que eu queria para vocês. Por isso, espero que me perdoem e leiam até o fim. Só posso garantir que vale a pena.
O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver
400 páginas - Editora Novo Conceito
Quando eu peguei este livro, eu logo lembrei do "O Menino do Pijama Listrado". Talvez pela capa, mas com certeza pelo mesmo pano de fundo: 2º Guerra Mundial. Mas as semelhanças ficaram apenas nisso mesmo, saibam porque:
Mika Hernsteyn é um menino de 12 anos que começou a perder tudo por conta da 2º Guerra Mundial, que todos sabem, um louco chamado Hitler achou que sua raça era superior a todas as outras e por isso deveriam ser exterminadas da face da terra.
Para azar de Mika, ele e sua família eram judeus, e por isso, seres inferiores que não deveriam existir. Em 1939, o pesadelo de Mika começou, e sua cidade Varsóvia (capital da Polônia) foi invadida e tomada pelas tropas alemãs.
Planta do Gueto de Varsóvia
Os judeus foram confinados em uma área que ficou conhecida como "Gueto de Varsóvia." Era uma área cercada por altos muros de onde eles não tinham permissão de sair, e que era vigiada constantemente pelos soldados alemãs. Eles tinham toque de recolher e qualquer coisa que dissessem ou fizessem era motivo para que perdessem a vida. Até pensar poderia ser arriscado. Comida era um luxo, assim como muitas coisa simples da vida.
Em mais um dos intermináveis dias daquele inferno, Mika perdeu seu avô. Era julho de 1941, quando Mika recebeu de seu avô, ainda com vida a seus pés, o casaco que ele tanto amava.
Foi através do casaco, que Mika conheceu um outro lado de Tatus, o de criador de fantoches. Os fantoches que seu avô fez durante as intermináveis horas que passava trancado na despensa, agora era a única companhia que ele tinha.
Com o passar do tempo, mais judeus começaram a chegar ao gueto, e Mika e sua mãe passaram a dividir o pequeno apartamento com uma outra família judia e com sua tia Cara e seus primos Ellie e Paul. 
Aos poucos Ellie e Mika passaram a dividir o segredo e a companhia dos fantoches, e em seguida começaram a fazer apresentações para os que viviam no apartamento. A notícia do show de fantoches logo se espalhou, e ele passaram a fazer apresentações por todo o gueto em troca de pães, frutas, legumes, o que tivesse para oferecer como pagamento.
Orfanato Dom Sierot

Eles também se apresentavam no Orfanato Dom Sierot, cuidado por Janusz Korczak¹ e no Hospital Infantil Judaico que ficava na Rua Sienna, apenas para distraírem e alegrarem as crianças que lá estavam.
Em uma destas saídas, Mika acabou encontrando com, um soldado alemão que levou Mika até o posto dos oficiais e soldados alemãs para que ele apresentasse um espetáculo.
Deste encontro que poderia ter sido o fim de Mika, foi talvez, o desvio que o tirou da morte.
Sem ter como escapar, começou o verdadeiro calvário para Mika, que era obrigado a ir até lá uma vez por semana divertir aqueles que estavam massacrando sua gente.
Ele se achava um traidor, e mesmo não tendo alternativa e recebendo pães como pagamento para levar para casa, ele ficava mal por dias depois de cada apresentação. Isso começou a mudar quando sua prima Ellie descobriu o que ele fazia, e além de lhe apoiar, passou a ajudá-lo na construção de mais fantoches e na criação de novos espetáculos.
Matt de uma certa forma acabava protegendo Mika dos outros soldados alemães, mas não se enganem, pois os dois não chegaram a desenvolver o que podemos dizer ser uma "amizade". Com as apresentações feitas tanto no gueto, como no posto alemão, Mika passou a ser chamado de "O Menino dos Fantoches".
Foi justamente esta sua "pequena fama" que deu a Mika a oportunidade de fazer mais do que simples apresentações. E bem debaixo dos narizes alemães, Mika começou a fazer a diferença. Mesmo que ele achasse estar fazendo pouco, sua coragem e seus atos garantiram a vida de várias crianças.
Quando os judeus acharam que já tinham passado por tudo, o pior ainda estava começando. Mika perdeu muito, e na tentativa de salvar o que lhe era mais precioso, ele deu a Matt seu bem mais caro: o fantoche do príncipe.
Cansados de tudo e sem ter mais o que perder, o povo do gueto resolveu revidar, e criaram a ZOB (Zydowska Organizacja Bojowa/ Organização Judaica de Combate). Liderados por

Mordechaj Anielewicz² e armados com o que conseguiram contrabandear para dentro do gueto, e principalmente com coquetéis molotov, começaram a revolta armada. A notícia se espalhou e outras resistência foram formadas e mais judeus foram aderindo. 

Os nazistas não ficaram quietos, e logo resolveram arrasar com o gueto. Quando eu digo arrasar, é arrasar mesmo, destruíram e queimaram tudo o que havia pela frente e dentro do muro.
Imagem do gueto destruído

Os judeus se esconderam como puderam, e Mika, junto com alguns outros, depois de dias escondidos, foram resgatados por outra resistência.
Mika estava sozinho, e assim como milhares de judeus, já tinha perdido tudo: casa, família, dignidade... Mas uma coisa ele e outros tantos mantiveram, a coragem e a esperança para seguirem em frente e lutarem pelo que acreditavam.
Mika mudou-se para os EUA e reconstruiu sua vida, mas nunca mais tocou nos fantoches. Até que em janeiro de 2009, ele viu um cartaz onde dizia que uma trupe alemã de fantoches iria se apresentar ali, em Nova York. Foi demais para o coração de Mika, e ele acabou revelando toda sua verdadeira história para seu neto Danny.
Curiosamente, foi o fantoche do príncipe, que Mika deu a Matt, que deu forças ao soldado alemão, que de algoz passou a ser vítima, quando a guerra chegou ao fim e os soldados e oficiais alemães foram julgados e condenados por seus crimes.
Tudo o que os alemães fizeram os judeus passarem, estavam passando também nas mãos dos Aliados (vencedores da guerra). A arrogância estava sendo enfiada goela abaixo. Matt já não aguentava mais a vida de prisioneiro, por isso decidiu fugir. Durante anos caminhou incansavelmente atravessando a gélida Sibéria, local onde ele e vários outros militares estavam presos. Sempre ao lado do fantoche, ele tinha um único destino, voltar para os braços de sua esposa e filho.
A guerra deixou muitas marcas. Todos que por ela passaram e sobreviveram, tiveram um difícil recomeço e uma longa volta para casa.
Mika e Matt, judeu e alemão. Dois lados de uma mesma guerra, onde toda a humanidade, e principalmente os judeus, perderam. A
mbos foram salvos e guiados pela força encontrada em um fantoche chamado Príncipe. Um fantoche que nasceu e cresceu nas mãos de judeus. Viveu anos junto ao coração de um alemão, até passar para as mãos de sua neta Mara Meiehauser.
Um fantoche que viu e viveu muita coisa. Que foi responsável não só pela sobrevivência de uns, mas também para o encontro e reencontro de outros. E porque não dizer, responsável por manter acesa a chama de liberdade no coração daqueles que o conheceram.
Antes de terminar, gostaria de falar mais umas coisas. O livro é dividido em 3 partes, sendo a primeira conhecemos a história de Mika, a segunda do soldado Matt e na terceira, conhecemos o fim do fantoche.
Observações:
O livro, apesar de ser uma obra de ficção, encontramos muitos fatos e personagens reais ao longo da leitura. O Gueto de Varsóvia realmente existiu, assim como sua revolta armada.
Janusz Korczak cujo o nome verdadeiro é Henryk Goldszmit, foi médico, pediatra, pedagogista, escritor, autor infantil, publicista, ativista social, oficial do Exército Polaco
. Sua morte foi narrada de uma forma que apertou meu coração nas páginas do livro, e pelo que pesquisei, não foi exagerada.
Monumento em homenagem ao médico e suas crianças.


Imagem do médico.




Monumento em homenagem ao médico e suas crianças.


O orfanato nos dias de hoje
2. Mordechaj Anielewicz, que no livro está escrito Mordecai, foi mesmo o líder da revolução no gueto.
Imagem de Mordechaj


Homenagem a Mordechaj
Imagem da construção do muro do gueto e dele pronto.


Imagens de Varsóvia nos dias de hoje
Homenagem aos heróis do gueto


Varsóvia hoje
Uma outra heroína do Gueto de Varsóvia citada no livro:
Com tudo isso, só posso dizer para que leiam!
a Rafflecopter giveaway

#Resenha O Meninos dos Fantoches de Varsóvia

 Oi amigos, hoje tem uma resenha um tanto longa para vocês, mas acreditem, eu tentei diminuir o quanto pude, mas não fui feliz, pois do contrário não passaria o que eu queria para vocês. Por isso, espero que me perdoem e leiam até o fim. Só posso garantir que vale a pena.
O Menino dos Fantoches de Varsóvia - Eva Weaver
400 páginas - Editora Novo Conceito
Quando eu peguei este livro, eu logo lembrei do "O Menino do Pijama Listrado". Talvez pela capa, mas com certeza pelo mesmo pano de fundo: 2º Guerra Mundial. Mas as semelhanças ficaram apenas nisso mesmo, saibam porque:
Mika Hernsteyn é um menino de 12 anos que começou a perder tudo por conta da 2º Guerra Mundial, que todos sabem, um louco chamado Hitler achou que sua raça era superior a todas as outras e por isso deveriam ser exterminadas da face da terra.
Para azar de Mika, ele e sua família eram judeus, e por isso, seres inferiores que não deveriam existir. Em 1939, o pesadelo de Mika começou, e sua cidade Varsóvia (capital da Polônia) foi invadida e tomada pelas tropas alemãs.
Planta do Gueto de Varsóvia
Os judeus foram confinados em uma área que ficou conhecida como "Gueto de Varsóvia." Era uma área cercada por altos muros de onde eles não tinham permissão de sair, e que era vigiada constantemente pelos soldados alemãs. Eles tinham toque de recolher e qualquer coisa que dissessem ou fizessem era motivo para que perdessem a vida. Até pensar poderia ser arriscado. Comida era um luxo, assim como muitas coisa simples da vida.
Em mais um dos intermináveis dias daquele inferno, Mika perdeu seu avô. Era julho de 1941, quando Mika recebeu de seu avô, ainda com vida a seus pés, o casaco que ele tanto amava.
Foi através do casaco, que Mika conheceu um outro lado de Tatus, o de criador de fantoches. Os fantoches que seu avô fez durante as intermináveis horas que passava trancado na despensa, agora era a única companhia que ele tinha.
Com o passar do tempo, mais judeus começaram a chegar ao gueto, e Mika e sua mãe passaram a dividir o pequeno apartamento com uma outra família judia e com sua tia Cara e seus primos Ellie e Paul. 
Aos poucos Ellie e Mika passaram a dividir o segredo e a companhia dos fantoches, e em seguida começaram a fazer apresentações para os que viviam no apartamento. A notícia do show de fantoches logo se espalhou, e ele passaram a fazer apresentações por todo o gueto em troca de pães, frutas, legumes, o que tivesse para oferecer como pagamento.
Orfanato Dom Sierot

Eles também se apresentavam no Orfanato Dom Sierot, cuidado por Janusz Korczak¹ e no Hospital Infantil Judaico que ficava na Rua Sienna, apenas para distraírem e alegrarem as crianças que lá estavam.
Em uma destas saídas, Mika acabou encontrando com, um soldado alemão que levou Mika até o posto dos oficiais e soldados alemãs para que ele apresentasse um espetáculo.
Deste encontro que poderia ter sido o fim de Mika, foi talvez, o desvio que o tirou da morte.
Sem ter como escapar, começou o verdadeiro calvário para Mika, que era obrigado a ir até lá uma vez por semana divertir aqueles que estavam massacrando sua gente.
Ele se achava um traidor, e mesmo não tendo alternativa e recebendo pães como pagamento para levar para casa, ele ficava mal por dias depois de cada apresentação. Isso começou a mudar quando sua prima Ellie descobriu o que ele fazia, e além de lhe apoiar, passou a ajudá-lo na construção de mais fantoches e na criação de novos espetáculos.
Matt de uma certa forma acabava protegendo Mika dos outros soldados alemães, mas não se enganem, pois os dois não chegaram a desenvolver o que podemos dizer ser uma "amizade". Com as apresentações feitas tanto no gueto, como no posto alemão, Mika passou a ser chamado de "O Menino dos Fantoches".
Foi justamente esta sua "pequena fama" que deu a Mika a oportunidade de fazer mais do que simples apresentações. E bem debaixo dos narizes alemães, Mika começou a fazer a diferença. Mesmo que ele achasse estar fazendo pouco, sua coragem e seus atos garantiram a vida de várias crianças.
Quando os judeus acharam que já tinham passado por tudo, o pior ainda estava começando. Mika perdeu muito, e na tentativa de salvar o que lhe era mais precioso, ele deu a Matt seu bem mais caro: o fantoche do príncipe.
Cansados de tudo e sem ter mais o que perder, o povo do gueto resolveu revidar, e criaram a ZOB (Zydowska Organizacja Bojowa/ Organização Judaica de Combate). Liderados por

Mordechaj Anielewicz² e armados com o que conseguiram contrabandear para dentro do gueto, e principalmente com coquetéis molotov, começaram a revolta armada. A notícia se espalhou e outras resistência foram formadas e mais judeus foram aderindo. 

Os nazistas não ficaram quietos, e logo resolveram arrasar com o gueto. Quando eu digo arrasar, é arrasar mesmo, destruíram e queimaram tudo o que havia pela frente e dentro do muro.
Imagem do gueto destruído

Os judeus se esconderam como puderam, e Mika, junto com alguns outros, depois de dias escondidos, foram resgatados por outra resistência.
Mika estava sozinho, e assim como milhares de judeus, já tinha perdido tudo: casa, família, dignidade... Mas uma coisa ele e outros tantos mantiveram, a coragem e a esperança para seguirem em frente e lutarem pelo que acreditavam.
Mika mudou-se para os EUA e reconstruiu sua vida, mas nunca mais tocou nos fantoches. Até que em janeiro de 2009, ele viu um cartaz onde dizia que uma trupe alemã de fantoches iria se apresentar ali, em Nova York. Foi demais para o coração de Mika, e ele acabou revelando toda sua verdadeira história para seu neto Danny.
Curiosamente, foi o fantoche do príncipe, que Mika deu a Matt, que deu forças ao soldado alemão, que de algoz passou a ser vítima, quando a guerra chegou ao fim e os soldados e oficiais alemães foram julgados e condenados por seus crimes.
Tudo o que os alemães fizeram os judeus passarem, estavam passando também nas mãos dos Aliados (vencedores da guerra). A arrogância estava sendo enfiada goela abaixo. Matt já não aguentava mais a vida de prisioneiro, por isso decidiu fugir. Durante anos caminhou incansavelmente atravessando a gélida Sibéria, local onde ele e vários outros militares estavam presos. Sempre ao lado do fantoche, ele tinha um único destino, voltar para os braços de sua esposa e filho.
A guerra deixou muitas marcas. Todos que por ela passaram e sobreviveram, tiveram um difícil recomeço e uma longa volta para casa.
Mika e Matt, judeu e alemão. Dois lados de uma mesma guerra, onde toda a humanidade, e principalmente os judeus, perderam. A
mbos foram salvos e guiados pela força encontrada em um fantoche chamado Príncipe. Um fantoche que nasceu e cresceu nas mãos de judeus. Viveu anos junto ao coração de um alemão, até passar para as mãos de sua neta Mara Meiehauser.
Um fantoche que viu e viveu muita coisa. Que foi responsável não só pela sobrevivência de uns, mas também para o encontro e reencontro de outros. E porque não dizer, responsável por manter acesa a chama de liberdade no coração daqueles que o conheceram.
Antes de terminar, gostaria de falar mais umas coisas. O livro é dividido em 3 partes, sendo a primeira conhecemos a história de Mika, a segunda do soldado Matt e na terceira, conhecemos o fim do fantoche.
Observações:
O livro, apesar de ser uma obra de ficção, encontramos muitos fatos e personagens reais ao longo da leitura. O Gueto de Varsóvia realmente existiu, assim como sua revolta armada.
Janusz Korczak cujo o nome verdadeiro é Henryk Goldszmit, foi médico, pediatra, pedagogista, escritor, autor infantil, publicista, ativista social, oficial do Exército Polaco
. Sua morte foi narrada de uma forma que apertou meu coração nas páginas do livro, e pelo que pesquisei, não foi exagerada.
Monumento em homenagem ao médico e suas crianças.


Imagem do médico.




Monumento em homenagem ao médico e suas crianças.


O orfanato nos dias de hoje
2. Mordechaj Anielewicz, que no livro está escrito Mordecai, foi mesmo o líder da revolução no gueto.
Imagem de Mordechaj


Homenagem a Mordechaj
Imagem da construção do muro do gueto e dele pronto.


Imagens de Varsóvia nos dias de hoje
Homenagem aos heróis do gueto


Varsóvia hoje
Uma outra heroína do Gueto de Varsóvia citada no livro:
Com tudo isso, só posso dizer para que leiam!
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