#Resenha Pamela

Oi amigos, hoje tenho para vocês a resenha de mais um romance de época, na verdade, um clássico escrito em 1740 e que gerou polêmica. Quer saber por quê? Então vamos lá!
Pamela - Samuel Richardson
392 páginas - Pedrazul Editora
Pamela é uma jovem e bela de 15 anos que trabalhava como dama de companhia de uma nobre senhora (Lady B) que veio a falecer. Antes de morrer porém, a nobre senhora pediu para que seu filho tomasse conta de todos os seus serviçais, incluindo Pamela.
Mr. B, tomou para si esta responsabilidade, mas deixou claro seu interesse particular por Pamela.
Ciente do interesse e dos avanços do patrão, Pamela, que era filha única de pais bem humildes, pediu para que fosse enviada de volta para casa dos pais. Pedido este, que Mr B não quis atender. Nem mesmo o pedido de sua irmã, a senhora Davers, que pretendia levar Pamela para trabalhar em sua casa, o nobre atendeu.
Os avanços de Mr. B se intensivaram e tornaram-se ainda mais claros, para terror de Pamela, que nem cogitava perder sua virgindade sem um casamento, ou pior, tornar-se a amante de algum homem.
Mr. B não desistiu e usou de muitos subterfúgios, mas Pamela permaneceu fiel a boa educação que recebeu e lutava diariamente para manter sua virtude. Até que para sua surpresa, Mr. B avisou que iria mandá-la de volta para seus pais.
Sem dúvida era a notícia que ela tanto ansiava ter. Acontece que isso era apenas um plano de Mr. B de mantê-la sob sua total vigilância e dependência.
Usando de todo o seu poder, influência e dinheiro, Mr. B na verdade, acabou raptando Pamela e deixando-a sob os cuidados de Mrs Jewkes, uma espécie de governanta e carcereira. Mas nem assim Pamela se deixou vencer. Apesar de todo o medo que sentia, ela mantinha a fé que Mr B não levaria adiante sua loucura.
Foi uma longa e dolorosa jornada até que Mr B caísse em si e percebesse o que estava fazendo com Pamela. Seu coração que estava tomado pela luxúria e orgulho aos poucos foi se quebrando diante da bondade da jovem empregada.
Mas mesmo um nobre poderoso como ele, não poderia fazer o que quisesse sem dar conta de seus atos. E para viver ao lado da mulher que conquistou seu coração, ele vai não só provar para Pamela que agora é um novo homem, como também terá que enfrentar a fúria de sua irmã e o desdém da nobreza que e sempre fez parte. Será que Mr B ama mesmo Pamela a ponto de engolir seu orgulho diante da nobreza?
Este livro é muito bom, mas para quem não está acostumado com clássicos, vale lembrar alguns itens. Este livro foi publicado em 1740, por isso, retrata tão bem os costumes da época em questão. Como deixei claro na resenha, há um abuso de poder, onde a vítima era uma moça simples. Na contra mão, temos Pamela que mesmo sem se valer de nenhuma arma ou alguém que a defenda, lutava para não ser desonrada. Fico imaginando quantas Pamelas não existiram de fato nesta época...
Apesar de estar ciente que o homem que escreveu este livro ter vivido na época retratada, e que os personagens são caracterizados como os costumes da época exigiam, não posso deixar de falar que Pamela me cansava em alguns momentos. Os desmaios constantes me irritavam, ainda mais quando ela aceitava insultos contra si, mesmo depois de já estar em outra posição. Não posso entrar em detalhe para não dar spoiller, mas entendia quando ela baixava a cabeça para muitos dos insultos que recebeu. Não era apenas a criação que recebera, como também o costume da época, onde os empregados nada valiam. Mas em determinado ponto do livro, ela não tinha mais porque aceitar insultos. O medo dela era bem exacerbado, mesmo quando tinha as coisas a seu favor. Mas acho que o que mais me incomodou foi o fato de Pamela ser exaustivamente descrita como exemplo de perfeição, não só de beleza, como de doçura, candura, educação e um monte de outras coisas. Personagens perfeitinhos demais acabam me incomodando. Coisa minha, eu sei.
A história é narrada através de cartas que Pamela escreveu após a morte de Lady B. Ela começou a trocar cartas com seus pais, e contava nas cartas tudo o que acontecia. A maioria das cartas não foram recebidas pelos pais por intervenção de Mr B. E mesmo durante o período em que foi mantida presa e isolada, ela continuou escrevendo tais cartas, como se fossem um diário. O ritmo do livro é lento, o que pode incomodar algumas pessoas.
Este livro, na época em que foi publicado, entrou para a lista Index Librorum Prohibitorum, uma lista feito pelo Papa da época para livros que não eram bem vistos pela Igreja Católica. Muitos viram este livro como uma pornografia disfarçada, outros como um manual de conduta virtuosa. Eu o vejo como um exemplo triste de opressão e preconceito que ocorria não apenas contra a mulher, como também como os de classes mais simples. Independente em que ele seja classificado, é uma ótima opção de leitura. E você, já leu este livro? O que achou dele?

Esta resenha faz parte do meu Desafio Literário Livreando 2018 (#DLL2018) no item "livro de autor inglês". Para ler outras resenhas deste desafio, basta clicar na imagem abaixo:

#Resenha Pamela

Oi amigos, hoje tenho para vocês a resenha de mais um romance de época, na verdade, um clássico escrito em 1740 e que gerou polêmica. Quer saber por quê? Então vamos lá!
Pamela - Samuel Richardson
392 páginas - Pedrazul Editora
Pamela é uma jovem e bela de 15 anos que trabalhava como dama de companhia de uma nobre senhora (Lady B) que veio a falecer. Antes de morrer porém, a nobre senhora pediu para que seu filho tomasse conta de todos os seus serviçais, incluindo Pamela.
Mr. B, tomou para si esta responsabilidade, mas deixou claro seu interesse particular por Pamela.
Ciente do interesse e dos avanços do patrão, Pamela, que era filha única de pais bem humildes, pediu para que fosse enviada de volta para casa dos pais. Pedido este, que Mr B não quis atender. Nem mesmo o pedido de sua irmã, a senhora Davers, que pretendia levar Pamela para trabalhar em sua casa, o nobre atendeu.
Os avanços de Mr. B se intensivaram e tornaram-se ainda mais claros, para terror de Pamela, que nem cogitava perder sua virgindade sem um casamento, ou pior, tornar-se a amante de algum homem.
Mr. B não desistiu e usou de muitos subterfúgios, mas Pamela permaneceu fiel a boa educação que recebeu e lutava diariamente para manter sua virtude. Até que para sua surpresa, Mr. B avisou que iria mandá-la de volta para seus pais.
Sem dúvida era a notícia que ela tanto ansiava ter. Acontece que isso era apenas um plano de Mr. B de mantê-la sob sua total vigilância e dependência.
Usando de todo o seu poder, influência e dinheiro, Mr. B na verdade, acabou raptando Pamela e deixando-a sob os cuidados de Mrs Jewkes, uma espécie de governanta e carcereira. Mas nem assim Pamela se deixou vencer. Apesar de todo o medo que sentia, ela mantinha a fé que Mr B não levaria adiante sua loucura.
Foi uma longa e dolorosa jornada até que Mr B caísse em si e percebesse o que estava fazendo com Pamela. Seu coração que estava tomado pela luxúria e orgulho aos poucos foi se quebrando diante da bondade da jovem empregada.
Mas mesmo um nobre poderoso como ele, não poderia fazer o que quisesse sem dar conta de seus atos. E para viver ao lado da mulher que conquistou seu coração, ele vai não só provar para Pamela que agora é um novo homem, como também terá que enfrentar a fúria de sua irmã e o desdém da nobreza que e sempre fez parte. Será que Mr B ama mesmo Pamela a ponto de engolir seu orgulho diante da nobreza?
Este livro é muito bom, mas para quem não está acostumado com clássicos, vale lembrar alguns itens. Este livro foi publicado em 1740, por isso, retrata tão bem os costumes da época em questão. Como deixei claro na resenha, há um abuso de poder, onde a vítima era uma moça simples. Na contra mão, temos Pamela que mesmo sem se valer de nenhuma arma ou alguém que a defenda, lutava para não ser desonrada. Fico imaginando quantas Pamelas não existiram de fato nesta época...
Apesar de estar ciente que o homem que escreveu este livro ter vivido na época retratada, e que os personagens são caracterizados como os costumes da época exigiam, não posso deixar de falar que Pamela me cansava em alguns momentos. Os desmaios constantes me irritavam, ainda mais quando ela aceitava insultos contra si, mesmo depois de já estar em outra posição. Não posso entrar em detalhe para não dar spoiller, mas entendia quando ela baixava a cabeça para muitos dos insultos que recebeu. Não era apenas a criação que recebera, como também o costume da época, onde os empregados nada valiam. Mas em determinado ponto do livro, ela não tinha mais porque aceitar insultos. O medo dela era bem exacerbado, mesmo quando tinha as coisas a seu favor. Mas acho que o que mais me incomodou foi o fato de Pamela ser exaustivamente descrita como exemplo de perfeição, não só de beleza, como de doçura, candura, educação e um monte de outras coisas. Personagens perfeitinhos demais acabam me incomodando. Coisa minha, eu sei.
A história é narrada através de cartas que Pamela escreveu após a morte de Lady B. Ela começou a trocar cartas com seus pais, e contava nas cartas tudo o que acontecia. A maioria das cartas não foram recebidas pelos pais por intervenção de Mr B. E mesmo durante o período em que foi mantida presa e isolada, ela continuou escrevendo tais cartas, como se fossem um diário. O ritmo do livro é lento, o que pode incomodar algumas pessoas.
Este livro, na época em que foi publicado, entrou para a lista Index Librorum Prohibitorum, uma lista feito pelo Papa da época para livros que não eram bem vistos pela Igreja Católica. Muitos viram este livro como uma pornografia disfarçada, outros como um manual de conduta virtuosa. Eu o vejo como um exemplo triste de opressão e preconceito que ocorria não apenas contra a mulher, como também como os de classes mais simples. Independente em que ele seja classificado, é uma ótima opção de leitura. E você, já leu este livro? O que achou dele?

Esta resenha faz parte do meu Desafio Literário Livreando 2018 (#DLL2018) no item "livro de autor inglês". Para ler outras resenhas deste desafio, basta clicar na imagem abaixo:

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