#Resenha Dois Pais

Oi amigos, hoje começo a resenhar minhas leituras de 2017, e para começar, o primeiro livro que finalizei logo nos primeiros dias. Dois Pais foi uma grata surpresa, pois vi o livro em minhas andanças pela Amazon. Nunca tinha ouvido falar, e nem fazia ideia do que se tratava. Agora, depois de terminar, só posso dizer que comecei muito bem minhas leituras de 2017.
Dois Pais - Jéssica Lírio
753 páginas - Amazon
O livro é narrado em 1936 e conta a história de Alois Kaufman, um austríaco condecorado por seus serviços prestados à Força Área Imperial Austro Húngaro na 1° Guerra Mundial.
Seus dias de glória terminaram quando a aeronáutica descobriu que ele estava tendo um caso com outro piloto. Além de ficar preso e depois ser expulso das Forças Armadas, ele ainda teve que devolver as medalhas que ganhara. Mas o pior mesmo foi ser escorraçado de casa a tiros pelo próprio pai.
Sozinho, ele acaba abrindo um bar em frente a praça Jakamini, no Innere Stadt, centro de Graz, segunda maior cidade da Áustria. Ali, além de ser local de trabalho, também é sua moradia, pois no andar de cima ele fixou sua residência.
Atualmente Alois não está mais sozinho. Casado há dez anos com Otto Vandenburg, ambos comemoram este casamento.
Otto era professor de Biologia e filho de um rico empresário. Ao contrário do pai de Alois, o pai de Otto não só aceitou a homossexualidade do filho, como promove campanhas e palestras explicando que a homossexualidade não é uma doença e que as pessoas são normais como qualquer outra. Que os homossexuais dever ser respeitados e livres. Toda a família de Otto, seu irmão Wilhelm, sua cunhada e sobrinhos, além de sua madrasta, sabiam de sua sexualidade e o apoiavam.
-Eu só quero que meu filho e outros por aí tenham seus direitos respeitados.
Apesar disso, o casal a pedido de Alois, nunca assumiu a relação. Durante estes longos dez anos viveram  se escondendo. Apenas a família de Otto sabia da relação. Nem mesmo Klara, irmã de Alois ou seu sobrinho Ludwig, a quem amava e confiava desconfiava da vida dupla que ele levava.
Mesmo assim, eles eram felizes e se amavam.
Sim, felizes como dois homens como eles poderiam ser, neste glorioso 1936... pensou com ironia.
Mas as coisas estavam ficando mais difíceis. Não apenas pelo constante medo de que seu segredo fosse descoberto, mas principalmente pelo crescente pode de Hitler e seu nazismo.
Quando Klara morre de repente em um acidente de trabalho, Alois se vê em maus lençóis, pois teve que assumir a guarda do sobrinho. Não que cuidar de seu sobrinho fosse o problema, na verdade, o problema era manter a relação com Otto em segredo tendo seu sobrinho morando com os dois.
Otto queria que Alois contasse toda a verdade para Ludwig, mas ele tinha medo e vergonha da reação de seu sobrinho, que o via como um herói.
Aos poucos as coisas foram se ajeitando, pelo menos me casa, porque a situação da Áustria estava cada vez mais delicada com o avanço de Hitler. Por conta disso, Alois e Otto aceitaram a sugestão do Sr. Vandenburg e fugiriam com a família de Otto para a Inglaterra.
Acontece que os planos ficaram ameaçados quando Herman, um ex-soldado que lutou ao lado de Alois, ameaçou denunciar o casal caso Alois não terminasse o relacionamento com Otto.
Sem muitas alternativas Alois planeja uma fuga desesperada, e é deste ponto que começa o verdadeiro inferno, principalmente para Alois.
Tudo dá errado e ambos são presos e levados para diferentes campos de concentração, enquanto Ludwig é jogado em um orfanato.
Otto é levado para um local de experimentos, onde um médico alemão faz experiências com os presos com o intuito de "curar" a homossexualidade deles. 
Alois por sua vez é levado para um campo de concentração de trabalho forçado, e lá ele come o pão que o diabo amassou e pisou. Ele que já teve experiência em guerra, sabe que precisa escapar dali ou morreria ali mesmo. Mas como fugir se a cada dia que passa ele se encontra mais fraco? E como encontrar Otto e Ludwig se ele nem fazia ideia de onde os dois estavam e se estavam vivos...
No campo ele acabou fazendo amizades que nunca imaginou ter: Yvette, um travesti que se prostituía para sustentas os irmãos e a avó, além de Beleza de Esquilo, dois outros gays. Ele também reencontrou a família de judeus de Cláudia, que eram os donos da deliciosa padaria que ele frequentava. Por intermédio de Cláudia ele também reencontrou a Irmã Maria, antiga professora de seu sobrinho, e única que defendeu o menino em um lastimável episódio de discriminação racial e social.
Este grupo inusitado acabou planejando uma fuga, e juntos uniram suas parcas, mas importantes forças.
Neste ínterim, Ludwig é adotado por um oficial alemão que não passa de um psicopata doido. Além de ter que lidar com o suposto pai, Ludwig ainda tem que sobreviver ao ódio da irmã mais velha. Ele só pode confiar nas irmãs menores e em sua mãe, que mesmo correndo risco tenta protegê-lo da melhor forma possível.
Otto e seu irmão gastam os parcos recursos disponíveis para encontrarem Ludwig e Alois, enquanto o cerco fecha cada vez mais, deixando Otto em uma situação de desespero e falta de esperança.
Em meio ao ódio racial e ao preconceito, será que estes três vão ter a chance de se reencontrarem novamente? Alois e seus amigos conseguirão fugir? Ludwig conseguirá manter-se vivo até que seu tio possa resgatá-lo?
Em um turbilhão de emoções e reviravoltas, o leitor se vê preso em páginas recheadas de amor, perdão, ódio, amizade, lealdade, fé, força, vingança, medo e preconceito. Tudo costurado para que você sinta cada uma destas emoções e não queira largar o livro.
Com personagens que te fazem rir e chorar, você questiona sua fé e reflete sobre ações que não concorda, mas entende e aceita, como o medo de Alois em assumir sua homossexualidade. Como podemos julgar isso se em 2017 encontramos facilmente casos de homofobia, imaginem em 1936 em plena ascensão nazista? 
Quero destacar o personagem Yvette que roubou a cena, sendo responsável pelos momentos mais divertidos do enredo.
Enfim, é um livro para ser lido, sentido e debatido. Um livro que recomendo e que tenho orgulho de dizer que é nacional. 

Esta resenha faz parte do meu Desafio Literário 2017. Para conhecer sobre ele e as leituras, basta clicar na imagem abaixo:


#Resenha Dois Pais

Oi amigos, hoje começo a resenhar minhas leituras de 2017, e para começar, o primeiro livro que finalizei logo nos primeiros dias. Dois Pais foi uma grata surpresa, pois vi o livro em minhas andanças pela Amazon. Nunca tinha ouvido falar, e nem fazia ideia do que se tratava. Agora, depois de terminar, só posso dizer que comecei muito bem minhas leituras de 2017.
Dois Pais - Jéssica Lírio
753 páginas - Amazon
O livro é narrado em 1936 e conta a história de Alois Kaufman, um austríaco condecorado por seus serviços prestados à Força Área Imperial Austro Húngaro na 1° Guerra Mundial.
Seus dias de glória terminaram quando a aeronáutica descobriu que ele estava tendo um caso com outro piloto. Além de ficar preso e depois ser expulso das Forças Armadas, ele ainda teve que devolver as medalhas que ganhara. Mas o pior mesmo foi ser escorraçado de casa a tiros pelo próprio pai.
Sozinho, ele acaba abrindo um bar em frente a praça Jakamini, no Innere Stadt, centro de Graz, segunda maior cidade da Áustria. Ali, além de ser local de trabalho, também é sua moradia, pois no andar de cima ele fixou sua residência.
Atualmente Alois não está mais sozinho. Casado há dez anos com Otto Vandenburg, ambos comemoram este casamento.
Otto era professor de Biologia e filho de um rico empresário. Ao contrário do pai de Alois, o pai de Otto não só aceitou a homossexualidade do filho, como promove campanhas e palestras explicando que a homossexualidade não é uma doença e que as pessoas são normais como qualquer outra. Que os homossexuais dever ser respeitados e livres. Toda a família de Otto, seu irmão Wilhelm, sua cunhada e sobrinhos, além de sua madrasta, sabiam de sua sexualidade e o apoiavam.
-Eu só quero que meu filho e outros por aí tenham seus direitos respeitados.
Apesar disso, o casal a pedido de Alois, nunca assumiu a relação. Durante estes longos dez anos viveram  se escondendo. Apenas a família de Otto sabia da relação. Nem mesmo Klara, irmã de Alois ou seu sobrinho Ludwig, a quem amava e confiava desconfiava da vida dupla que ele levava.
Mesmo assim, eles eram felizes e se amavam.
Sim, felizes como dois homens como eles poderiam ser, neste glorioso 1936... pensou com ironia.
Mas as coisas estavam ficando mais difíceis. Não apenas pelo constante medo de que seu segredo fosse descoberto, mas principalmente pelo crescente pode de Hitler e seu nazismo.
Quando Klara morre de repente em um acidente de trabalho, Alois se vê em maus lençóis, pois teve que assumir a guarda do sobrinho. Não que cuidar de seu sobrinho fosse o problema, na verdade, o problema era manter a relação com Otto em segredo tendo seu sobrinho morando com os dois.
Otto queria que Alois contasse toda a verdade para Ludwig, mas ele tinha medo e vergonha da reação de seu sobrinho, que o via como um herói.
Aos poucos as coisas foram se ajeitando, pelo menos me casa, porque a situação da Áustria estava cada vez mais delicada com o avanço de Hitler. Por conta disso, Alois e Otto aceitaram a sugestão do Sr. Vandenburg e fugiriam com a família de Otto para a Inglaterra.
Acontece que os planos ficaram ameaçados quando Herman, um ex-soldado que lutou ao lado de Alois, ameaçou denunciar o casal caso Alois não terminasse o relacionamento com Otto.
Sem muitas alternativas Alois planeja uma fuga desesperada, e é deste ponto que começa o verdadeiro inferno, principalmente para Alois.
Tudo dá errado e ambos são presos e levados para diferentes campos de concentração, enquanto Ludwig é jogado em um orfanato.
Otto é levado para um local de experimentos, onde um médico alemão faz experiências com os presos com o intuito de "curar" a homossexualidade deles. 
Alois por sua vez é levado para um campo de concentração de trabalho forçado, e lá ele come o pão que o diabo amassou e pisou. Ele que já teve experiência em guerra, sabe que precisa escapar dali ou morreria ali mesmo. Mas como fugir se a cada dia que passa ele se encontra mais fraco? E como encontrar Otto e Ludwig se ele nem fazia ideia de onde os dois estavam e se estavam vivos...
No campo ele acabou fazendo amizades que nunca imaginou ter: Yvette, um travesti que se prostituía para sustentas os irmãos e a avó, além de Beleza de Esquilo, dois outros gays. Ele também reencontrou a família de judeus de Cláudia, que eram os donos da deliciosa padaria que ele frequentava. Por intermédio de Cláudia ele também reencontrou a Irmã Maria, antiga professora de seu sobrinho, e única que defendeu o menino em um lastimável episódio de discriminação racial e social.
Este grupo inusitado acabou planejando uma fuga, e juntos uniram suas parcas, mas importantes forças.
Neste ínterim, Ludwig é adotado por um oficial alemão que não passa de um psicopata doido. Além de ter que lidar com o suposto pai, Ludwig ainda tem que sobreviver ao ódio da irmã mais velha. Ele só pode confiar nas irmãs menores e em sua mãe, que mesmo correndo risco tenta protegê-lo da melhor forma possível.
Otto e seu irmão gastam os parcos recursos disponíveis para encontrarem Ludwig e Alois, enquanto o cerco fecha cada vez mais, deixando Otto em uma situação de desespero e falta de esperança.
Em meio ao ódio racial e ao preconceito, será que estes três vão ter a chance de se reencontrarem novamente? Alois e seus amigos conseguirão fugir? Ludwig conseguirá manter-se vivo até que seu tio possa resgatá-lo?
Em um turbilhão de emoções e reviravoltas, o leitor se vê preso em páginas recheadas de amor, perdão, ódio, amizade, lealdade, fé, força, vingança, medo e preconceito. Tudo costurado para que você sinta cada uma destas emoções e não queira largar o livro.
Com personagens que te fazem rir e chorar, você questiona sua fé e reflete sobre ações que não concorda, mas entende e aceita, como o medo de Alois em assumir sua homossexualidade. Como podemos julgar isso se em 2017 encontramos facilmente casos de homofobia, imaginem em 1936 em plena ascensão nazista? 
Quero destacar o personagem Yvette que roubou a cena, sendo responsável pelos momentos mais divertidos do enredo.
Enfim, é um livro para ser lido, sentido e debatido. Um livro que recomendo e que tenho orgulho de dizer que é nacional. 

Esta resenha faz parte do meu Desafio Literário 2017. Para conhecer sobre ele e as leituras, basta clicar na imagem abaixo:


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